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Reflexões sobre o tempo. Parte I

By Wagner Martins | Novembro 13, 2008

Cronos (tempo) a meu ver, é o deus mais implacável, tirânico e medonho que existe. Ao mesmo tempo, porém, é remédio e escola para os seres humanos, talvez por isto o Caetano Veloso chamar o tempo de “um dos deuses mais lindos”. O tempo é implacável, pois nos engole sem pena, nos consome sem compaixão. É tirânico, pois não permite diálogo, não volta atrás, não perdoa. E da mesma forma é medonho, pois nos empurra para fora da vida. Mas, o tempo também é remédio que cura as feridas da existência, que faz cicatrizar as dores das falhas que cometemos. E por falar em falhas, o tempo é uma escola, o mestre que nos ensina através dos erros, nos presenteia com a experiência que é de onde surgem os acertos.

O tempo é o calçado que usamos para percorrer nosso caminho. É no tempo que nos construímos e nos reconstruímos em nossa existência, é assim ele, placa de sinalização da nossa vida.

Quando surgiu o tempo? Para as religiões, o tempo surgiu quando os deuses criaram. Mas, se os deuses já existiam, eles existiam num tempo, que muitos chamam de eternidade. Logo, seria o tempo uma parte da eternidade? Como se os deuses, a fim de nos fazerem participantes do seu mundo, nos desse um pedaço da sua vida, cedendo-nos uma pequena parte do seu eterno momento? Ao vivermos somos pequenos deuses, pois temos uma pequena parte deles. Penso que não importa como o tempo veio a surgir, importa sim, que ele está aí, precisa ser vivido, vivenciado e experimentado; cada segundo, cada gosto, cada momento…

Experimentar o tempo como se ele fosse único e último. Curtir cada momento como se existisse somente esse… Vive plenamente quem vive todo o tempo, sem lamúrias, sem penúrias, sem medo. Beber cada instante num gole só, e embriagar-se do tempo que nos é oferecido. Tempo, bendito tempo. Caneta que nos permite escrever em páginas em branco, que é nossa vida. Feliz de quem consegue abraçá-lo sem medo, pois este terá vida plena. Consuma-me tempo, para que eu tenha vida e vida em abundância…

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O Inferno foi feito pra isto…

By Wagner Martins | Novembro 7, 2008

Estive na igreja estes dias, deu uma saudade tremenda daquele ambiente. Sentei-me, cantei vários hinos legais e, atentamente escutei a mensagem do pastor. Ele começou como de práxis:

- Boa noite! A Paz do Senhor aos irmãos e boa noite aos amigos que nos visitam.

Confesso que ao ouvir isto fiquei em dúvida, aceitaria a Paz do Senhor ou aceitaria a boa noite? Porque não sei se sou irmão dele ou sou apenas amigo. Bem, deixemos esta dúvida pra lá. Começa a mensagem:

- Irmãos e amigos, esta noite falaremos sobre: É preciso temer a Deus –

Citou o texto de Mateus 10.28b “…Temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo.”e, começou a “descer o cajado”. Fiquei assustado, confesso. Aqueles gestos do pastor, aquela voz acusativa.. Nossa Senhora do Céu, - eu pensei – estou perdido. O pastor começou a mostrar um Deus irado, pronto para lhe pegar na próxima esquina e lhe jogar num lugar tão ruim que você iria se arrepender de ter nascido. Tinha horas que ele misturava o amor de Deus com o ódio. Disse até que, a Ira de Deus que manda as pessoas para inferno é motivada pelo amor. Sai para lá, capeta.

Eu já conhecia toda essa jogada pastoral, de exaltar o inferno, fazendo com que você se sinta um lixo, trema de medo e, converta-se.

O inferno foi feito pra isto, para te converter. Mas, converter para o quê? Ficou claro na saudação do pastor para o que você deveria se converter. Assim, se a paz do Senhor é para os irmãos e os irmãos são os que comungam das mesmas crenças e idéias, logo você deve se converter as mesmas idéias deles. O inferno foi feito pra isto, para pessoas com idéias diferentes deles.

A mensagem foi rolando, eu já perdendo a paciência, mas, depois de 45 minutos de uma demonstração de como Deus é intolerante ao extremo (na pregação do tal pastor), ele conseguiu o que queria:

- Oh Glória! 12 pessoas aceitaram a Cristo, vão fazer parte da nossa igreja! Aleluia!

E entre lágrimas e sorrisos dos fiéis, o pastor vê suas próximas vítimas, aqueles que pensaram como ele pensa, senão, vão para o inferno. Pois o inferno existe para isso, para você pensar como o líder pensa.

Mas, você pode me perguntar:

- Ora, então não devemos temer a Deus? Eu digo que sim, devemos sim. Mas, temer a Deus é ter reverência, respeito. Como eu terei medo de algo que nunca vi? Eu tenho é respeito pelos mistérios da vida, dos quais, Deus é o maior. Certa vez meu professor de teologia me alertou dizendo para “tomar cuidado com os que levam Deus muito a sério, pois, eles costumam matar”. São esses que falam para ter medo de Deus, esses que levam Deus muito a sério, esses que matam, quem criaram o inferno para vocês.

Respeitem os mistérios da vida, calem-se diante do inexplicável. E se Deus é amor, o ódio e a ira não habitam Nele. Não tenham medo de Deus, não temam a vida eterna. Se Deus existe, ele reservou um lugar ótimo para você, se não existe não vai fazer diferença nenhuma. E tem uma coisa que adoro falar, quando falo sobre o inferno:

Sabe, o inferno? Foi feito pra isto; para quem acredita nele.

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O Pulo do gato morto

By Wagner Martins | Novembro 6, 2008

Todos nós que estamos engajados na luta por um mundo melhor, que estamos lutando por mudanças, nos deparamos com muitas decepções, frustrações, tristezas… Mas, a gente não desisti, nós continuamos a falar. E esta nossa persistência é alvo de chacota pela turma que não cansa de fazer seu papel, oprimir. Daí, nasceu esta crônica, quando ao nos ouvir dizer que não nos calaríamos, disseram que éramos como gatos mortos. Vejamos pois, o gato morto.

Vocês sabem da fábula que narra a trajetória de um pobre gato, morto, sendo jogado de uma janela – pode ser de um viaduto, o que importa é que o gato esteja mortinho da Silva – e, ao cair, o coitadinho dá um pulo, um pulinho. A física explicaria o porquê do gato - morto - dar este pulo. Bem, o gato pula! Pula, por causa do impacto, mas, continua morto. Triste fim, se este fosse o fim. Pois, o malvado do indivíduo que jogou o gato pela janela esqueceu que existe uma doença chamada, Catalepsia. Bem, procurem no dicionário o significado da palavra, pois falar aqui tomaria muito espaço. Entretanto, num resumo, catalepsia é quando o indivíduo parece estar morto, mas, só parece.

Foi assim com o gato. Aparência de morto, cheiro de morto, duro igual a um morto, sem força igual a um morto… Mas, não estava morto. Ao cair, o impacto – Deus operou um milagre, Aleluia – fez com que o pobre felino retornasse os seus sinais vitais – Oh, Glória – e saísse andando, normalmente. Agora, imaginem a cara do indivíduo que jogou o gatinho pela janela! Devia está pensando:

- Ah, desgraçado! Eu deveria ter lhe matado, Esquerdista filho da Mãe!

E o gatinho – que era tido como morto – sai vivo, reunindo toda felinada para uma futura vingança. O gatinho sabe que, derrota é derrota. Mas, a pior derrota é aquela que faz os sonhos morrerem. E o gatinho acredita que, aquele malvado que o jogou da janela, por aquela mesma janela, haverá de cair. E ele, vivinho da Silva, haverá de miar o hino da vitória.

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Porque não muda?

By Wagner Martins | Novembro 6, 2008

“Deve-se considerar que não há nada mais difícil, nem de resultado mais duvidoso e perigoso, do que mudar as leis do povo, porque esta transformação terá forte resistência dos que se beneficiam das leis antigas.”

Maquiavel

Pensar nesta declaração Maquiavélica me faz pensar no abismo que separa o povo das pessoas que para o povo trabalham. As leis que estão ao nosso serviço são escritas em sua grande parte e por muito tempo por pessoas que nunca tiveram contato nenhum com nossa realidade. Lembro-me do Frei Betto dizendo que, “é impossível servir ao povo, sem “sujar” os pés”, concordo e aqui eu percebo o abismo que acima falei, pois o separatório entre povo e quem trabalha para eles, são as pessoas que do conforto dos seus escritórios com ar condicionado, escrevem leis que tentam beneficiar o nordestino que se queima e ganha pouco no sertão, por exemplo.

Quando da formação do PT indagou-se Lula: “Porque o trabalhador não vota no trabalhador?” Interessante questão! Porque nós trabalhadores colocamos nosso destino nas mãos de pessoas que não conhecem nossa realidade? As pessoas que se beneficiam pelas leis antigas, são pessoas que não sabem as dores do povo, e por isto, para que continuem se beneficiando, resistem.

Já perceberam que o slogan de todo partido político é: Chegou o momento da mudança! E o clamor popular é: Queremos mudança! Isto está ocorrendo porque de fato as coisas precisam sofrer uma transformação. Nossa sociedade está precisando de segurança e perspectiva para o futuro, e do jeito que está, a cada dia os sonhos são retirados de nós.

Infelizmente, confiamos na idéia que os políticos mudem nossas vidas, e não damos conta que elegemos somente os poderosos, e que assim, nos enfraquecemos. É chegado o momento do povo estar junto, é chegado o momento da sociedade pensar nela como uma comunidade, caso contrário, as leis do povo serão sempre, as leis antigas que beneficiam os de sempre.

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